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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Afinal, os Assassinos realmente existiram?

Um dos resultados de uma franquia encantadora como Assassin’s Creed é a sua verossimilhança, o que deixou muitos fãs com a seguinte indagação: os Assassinos foram reais?
A primeira menção sobre os Assassinos digna de observação pode ser encontrada na obra Saladin and the fall of the kingdom of Jerusalem (sem tradução para o português), escrita pelo arqueólogo britânico Stanley Lane-Poole. O livro biográfico sobre Saladino narra a origem dos Hashashins – que, nas línguas árabe e persa significa “Assassinos” – uma Ordem originada na Síria em 1094 sob o comando do filósofo e missionário persa Hassan-i Sabbah que tinha como objetivo sufocar as insurreições religiosas provocadas principalmente pelos Templários em Jerusalém e suas cidades vizinhas. A sede dos Assassinos seria o resistente forte de Alamut (existente até os dias de hoje), semelhante ao apresentado em Masyaf pela franquia.
O que deveria ser apenas um grupo de resistência contra a influência dos Guerreiros de Deus se tornou uma organização séria e de padrões morais únicos. Assassinatos de alvos-chave e missões de espionagem começaram a fazer parte do cotidiano desses dissidentes, porquanto Hassan-i começava a obter notoriedade política. Por sua vez, é um erro acreditar que todos na Ordem eram, automaticamente, Assassinos – apenas a elite de guerreiros da Ordem obtinha essa honra. Quem observou este fato foi o estudioso medievalista Charles Nowell, em um artigo de jornal norte-americano de 1947.

O Forte de Alamut: inspiração para a sede dos Assassinos em Masyaf.
Por sua vez, o imaginário acerca dos Assassinos obteve melhor forma em 1938, quando o austro-húngaro Vladimir Bartol lançou seu romance histórico Alamut. Esta obra provavelmente foi muito bem estudada pelos produtores, dado que detalha como era a vida dos Assassinos dentro do forte de mesmo nome. O detalhe que apresenta grande alusão à obra, porém, é a máxima dos Assassinos citada por Bartol: “Nada é verdade, tudo é permitido”.
A saga de Assassin’s Creed pode ser vista como uma representação histórica bastante convincente, embora, conforme a história nos mostra, os Templários tenham perdido força durante os séculos XI e XII com a perseguição da Igreja Católica. Por sua vez, o pretexto de uma Ordem oposta a dos Assassinos deu margem a uma infinidade de opções para os criadores do jogo, que estenderam a trama para o passado da Ordem (com Origins) e seu distante futuro com as tramas em época atual. Embora a partir do segundo game a disputa entre Assassinos e Templários perdure, não foi sem anos de pesquisa minuciosa que os historiadores da Ubisoft conseguiram obter elementos presentes em cada respectivo tempo representado pelos diversos títulos da franquia.

Cássio Remus de Paula
Historiador dos games



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Conheça o arsenal egípcio! Possíveis armas que poderão ser vistas em AC: ORIGINS

Como já foi dito na minha última postagem para a Masyaf News, o Antigo Egito não apenas influenciou culturalmente as civilizações pares, como Roma ou Grécia. O Egito é ainda uma fonte imprescindível para a constituição de nossas culturas, tendo influenciado a vivência de povos por milhares de anos.
Tendo em vista esta influência, não se pode deixar de ignorar o arsenal de tal nação. O setor militar dos egípcios foi fundamental para a constituição de futuros exércitos pelo mundo. O intuito desse post, portanto, não é analisar os armamentos testemunhados em quaisquer vídeos ou fontes de AC: Origins, mas apresentar o arsenal mais utilizado pela nação egípcia.

O KHOPESH

O khopesh era uma ferramenta exclusiva do exército egípcio, sendo utilizada como arma primária entre as unidades de infantaria entre 2500 e 1300 a.C., aproximadamente. Um híbrido de sabre e foice (ou até mesmo a evolução do machado de guerra), tinha dupla utilidade: além de causar ferimentos terríveis, podia ser presa ao escudo inimigo para puxá-lo e retirar a proteção de seu portador, facilitando a chacina. O khopesh era uma mestra das armas leves de infantaria e cavalaria: os faraós as utilizavam para exaltar sua glória (como esta da imagem abaixo, pertencente a Ramsés II) e até mesmo eram colocados com as mesmas em seus sarcófagos.

Khopesh utilizado por Ramsés II, exposta no Museu do Louvre (Paris).


A BIGA

As bigas são erroneamente assimiladas ao arsenal romano, devido à utilização de tais carros em jogos de arenas. Porém, é igualmente errôneo afirmar que sua origem é egípcia: os egípcios, na verdade, se basearam na tecnologia dos hicsos – que as utilizavam desde aproximadamente 2000 a.C. – para aperfeiçoar seus carros. As bigas egípcias eram mais resistentes e eficientes, sendo utilizadas em batalhas importantes como a travada contra os hititas em 1300 a.C., na chamada Batalha de Kadesh. Com a então recente domesticação dos cavalos, a biga foi utilizada em larga escala como carro militar, ao lado de cameleiros com khopeshes. Ao contrário dos cameleiros, porém, os bigueiros utilizavam arco e flecha, e mais tarde, os mortais arcos compostos.

Uma biga simples revestida em couro. Posteriormente, as bigas seriam revestidas de metal polido e com rodas curvas para aumentar a estabilidade.


O ARCO COMPOSTO

Outra arma utilizada em grande escala pelos egípcios foi o arco composto: dessa vez, a arma tinha influência dos hicsos, mas foi difundida pelo poderio do Egito. Ao contrário dos arcos ordinários, o arco composto era formado por diversas peças, dentre ossos de animais, tendões e madeira. Combinada às bigas, eram armas mortais e permitiam uma quase invulnerabilidade do exército egípcio. A arma foi também adotada pelos mongóis, romanos e otomanos, tendo sido aposentada por estes mais ou menos em 1826 d.C. – a última vez em que arcos foram utilizados no arsenal de um exército.

Arqueiro egípcio portando arco composto.


O TRIRREME

É claro que, com a predominância do Rio Nilo e porção do Mar Mediterrâneo, os egípcios aprenderam a construir frotas imponentes. Por sua vez, o principal tipo de embarcação egípcia foi utilizado também por quase todas as civilizações da antiguidade, como os fenícios, gregos, romanos, persas e cartagineses. Trata-se do trirreme, navio pesado que possuía três colunas de remadores (um sobre o outro). A abordagem do trirreme se baseva em duas: sua arma primária era o aríete, geralmente de bronze, que era utilizada para partir navios inimigos em abalroamentos velozes. A segunda abordagem constituía no ataque de soldados de infantaria do trirreme para o navio inimigo (como foi bem representado no filme “300: Ascensão do Império”). O aríete naval, como os jogadores de AC sabem, foi bem enfatizado em AC: IV e AC: Rogue. Os trirremes atenienses causaram aproximadamente 600 mil naufrágios apenas na Batalha de Salamina, contra os persas e fenícios. No Antigo Egito, os trirremes chegavam a medir 128 metros de comprimento em 210 a.C.

Representação artística de um trirreme romano abalroando o inimigo.


É claro que o arsenal dos egípcios foi tão amplo que é impossível listar um rol preciso de suas centenas de tipos de espadas, lanças, arcos e embarcações, sem contar ainda com a massiva hibridização de armas estrangeiras. Mesmo assim, é quase certo que as armas citadas acima serão bem exploradas em AC: Origins. Afinal, constituíram não apenas parte da nação egípcia, como definiram o que foi, em todos os sentidos, esta civilização.

Cássio Remus de Paula

Historiador

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Entenda como surgiu a civilização egípcia - a nova protagonista em Assassin's Creed: Origins!

“No Egito, o tempo é mais lento. Há que saber esperar” – Christian Jacq, egiptólogo.

A fala de Jacq provavelmente é referente à “demora” de mais de 4 mil anos de império desta civilização africana que protagoniza o próximo Assassin’s Creed (Origins). Tanto tempo de cultura presente resultou em influências inapagáveis de nossos métodos de vida, da arquitetura ao militarismo, dado que ajudou a moldar outras grandes civilizações, como a grega e a romana.
O Egito, por sua vez, parece ter ascendido quase ao mesmo tempo que Roma, Grécia e também a Babilônia. Estas quatro nações consolidam a História Antiga, que abrange desde a invenção da escrita até a queda do Império Romano, por volta de 476 d.C. Ou seja, o Antigo Egito – nome referente à sua periodicidade durante a História Antiga – participou de praticamente todo este recorte temporal.
Por sua vez, o Egito já existia antes desse recorte, ou seja, as heranças da cultura neolíticas se fixaram pelo delta do rio Nilo: entre 4600 e 4200 a.C., os povos ali instaurados plantavam, caçavam e pescavam, além de fixar moradias e praticarem tecelagem, cestaria e olaria. O Nilo, com um comprimento de quase 7 mil km, foi o verdadeiro motivo pelo qual os povos migraram para esta região, ainda por que na África nenhuma outra fonte hidrográfica era e é tão rica quanto este delta.
Os inúmeros clãs que ali se fixaram resultaram em guerras diárias que marcaram o cotidiano dos primeiros egípcios. O clã do Rei-Escorpião, por sua vez, se sobressaiu sobre os demais. O Rei-Escorpião, dado o número de conquistas sobre os demais, já se autodenominava rei da porção sul do território egípcio (área conhecida como Alto Egito, devido à região “alta” do rio Nilo). Exibia até mesmo uma coroa branca que o apontava como monarca daquela região, em contraste com a coroa vermelha que viria a simbolizar o Baixo Egito. Com suas tropas, porém, vem a submeter os povos da região norte, totalizando quilômetros e quilômetros sob seu controle.

Assassin's Creed: Origins



Graças a seu controle como monarca que a civilização egípcia começou a se erguer como importante império da história. A partir disso a atividade econômica passou a ser controlada e as vilas aumentaram de tamanho. O rei ordenou abertura de canais e fluxo constante de tráfego de mercadorias, além de perceber a importância do Nilo em seus ciclos de cheias (por exemplo, o armazenamento de água em bacias depois das inundações).
Fixado na cidade de Hierakonpolis, o rei era tratado como uma entidade divina. De acordo com Christian Jacq, “antes do advento do rei-Escorpião, a civilização egípcia não existia. Podemos falar apenas de culturas locais cujas produções artesanais eram mais ou menos bem-sucedidas”. Ou seja, como primeiro rei do Egito, especula-se que o Escorpião iniciou uma dinastia que podem compreender até sessenta reis e sete rainhas, englobando diversos séculos de governo. Por sua vez, mesmo com referências da submissão do povo nortenho, data-se que o Egito não foi unificado até antes do faraó Menés (por volta de 3000 a.C.). Nesse ínterim, Alto e Baixo Egito travaram inúmeras batalhas, em uma constante guerra de domínio territorial.

Hieróglifo egípcio contendo figuração do Rei-Escorpião.

Onde Assassin’s Creed: Origins se encaixa nisso tudo? Milênios de anos depois, mais ou menos em 80 d.C.. Mas como já foi dito, no Egito tudo ocorre de maneira lenta, o que significa que a cultura mudou muito pouco dentro deste recorte temporal. Seu império estava prestes a morrer, subjugado pela influência romana, mas sua contribuição cultural já era tida como eterna (já pararam pra pensar que e acordo com o período de existência do império egípcio, Cleópatra (mais ou menos em 80 d.C) está mais próxima de NOSSA história que da construção da pirâmide de Gizé, por volta de 4500 anos atrás?).
A historiadora e gamer Maytê Vieira, atualmente doutoranda na UFPR (que de longe entende a história egípcia melhor do que eu), deu sua opinião sobre o trailer de Origins: “Acredito que terá muita ação e que deram uma repaginada geral aproveitando o imaginário do Antigo Egito, que ainda é muito forte. Mas me parece que tem algumas coisas misturadas, como aquela cena em que aparece uma arena romana. O narrador parece ser um egípcio e os Assassinos surgiram lá, mas para combater o quê? São muitas perguntas que teremos que esperar, porque os templários surgiram séculos, milênios depois. Se eles incluírem os templários no Egito, vão assassinar a cronologia histórica que estava sendo bem fiel até agora (um baita anacronismo). Resta-nos esperar, e eu confesso, estou ansiosa!”.
Acho que todos estamos! Pela primeira vez na saga de Assassin’s Creed, após nove títulos canônicos, decidiram “voltar no tempo” para bem antes do primeiro título. Admito que sempre sonhei, como muitos outros jogadores, com um Assassin’s que retratasse o Antigo Egito. Qual é sua expectativa para esse jogo, caro leitor?
Espero que tenha aproveitado a leitura. Fique de olho na cobertura da MASYAF NEWS para mais novidades!

Cássio Remus de Paula
Historiador


sexta-feira, 5 de maio de 2017

A Segunda Guerra Mundial: O que a desencadeou?


    Embora a Segunda Guerra Mundial não tenha sido um tema direto durante a saga de AC, existiram algumas referências que veicularam algumas passagens bem especificas da guerra, como visto em Assassin's Creed: Unity e na HQ AC: Conspirations. Mas afinal, o que desencadeou a guerra mais violenta da História?


Capa da edição francesa da parte I de AC: Conspirations.

      Tudo começou com o final da Primeira Guerra Mundial, quando as nações vitoriosas sobre a Tríplice Aliança impuseram punições extremamente severas. A lista de punições ficou conhecida como Tratado de Versalhes. Como um todo, o tratado consistiu na remodelagem do Império Alemão, como por exemplo: o desmantelamento político, convertendo o império em república; aquém, 10% do território e população foram anexados a países vizinhos; as forças armadas foram restritas a 100 mil homens da infantaria, proibindo-se a força aérea, marinha, blindados, artilharia e uso de gás letal; não obstante, a Alemanha teve de pagar 33 bilhões de dólares para os países vencedores da guerra, o que levou o país a um ápice na inflação: um dólar chegou a valer 4,2 bilhões de marcos. 
     Isso foi o bastante para que um veterano de guerra alemão liderasse o Partido Nacional-Socialista Alemão - abreviado para Partido Nazista, de cunho anticomunista, anticapitalista e antissemita. Os ideais do partido eram adaptações do fascismo italiano, mas de forma mais radical. Pouco a pouco, o partido começou a adquirir influência na Alemanha. O veterano era Adolf Hitler, que teve a sorte de assumir o governo da Alemanha assim que o presidente Hindenburg faleceu, em 1933.
     A princípio, todos respeitavam Hitler - um símbolo de coragem, até então, por tirar a Alemanha da pobreza e desafiar o Tratado de Versalhes. Sem forças econômicas e bélicas para bater de frente com Hitler, os países que em outrora foram vencedores decidiram não se envolver com atritos políticos, mesmo quando Hitler anexou a Tchecoslováquia e a Áustria à Alemanha (num movimento estratégico chamado Anschluss, dispondo de armas e contando apenas com a propaganda e apoio popular). Por sua vez, prometeram os Aliados, se Hitler invadisse a Polônia, haveria guerra.

Mapa da divisão geopolítica polonesa em 1939: Alemanha e URSS vitimaram milhões de poloneses.


     
     A Polônia foi invadida e os Aliados não socorreram a nação, que embora tenha resistido bravamente, foi alvo de chacinas não apenas alemãs, mas também soviéticas: Hitler e o líder da URSS, Joseph Stalin, dividiram a Polônia em uma invasão simultânea. Iniciava-se, assim, a Segunda Guerra Mundial, em 1º de Setembro de 1939. 
     Os Aliados na Europa só se incomodaram em combater os nazistas, porém, quando estes invadiram a França, em 1940 - que, para facilitar o trabalho de Hitler, contou com o colaboracionismo do presidente Petáin. Os Estados Unidos só entrariam na guerra ao final de 1941, quando o Japão invadiu a base militar de Pearl Harbor, no Havaí. Até 1945, final da guerra, o saldo de mortos foi entre 40 e 60 milhões - dentre estes, as vítimas do Holocausto - política de Heindrich Himmler, chefe da SS, para eliminar física e culturalmente o judaísmo. Estima-se que mais de um milhão de judeus tenham sido assassinados apenas nas câmaras de gás.

Cena de Maus, HQ que conta a história de Vladek Spiegelman, sobrevivente do campo de concentração nazista em Auschwitz. Por Art Spiegelman.

     As cicatrizes da guerra ainda sangram pela História. Embora a URSS - traída por Hitler, agora sua maior inimiga - tenha cercado Berlim, a encontro dos norte-americanos, outra grande guerra tinha início: a Guerra Fria, que perdurou até 1989 e que foi travada entre os EUA e os soviéticos. Um dos maiores traços negativos da guerra que ainda perduram, porém, é a dicotomia política: oposições que se confundem na prática ainda brigam entre si por ideais que trouxeram a desgraça em proporções mundiais. 

Cássio Remus de Paula
Historiador 

terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista com Guilherme Wendt, mestre parkourzeiro fã de Assassin's Creed!


Dessa vez, trago para os leitores da MASYAF NEWS uma entrevista com o mestre parkouzeiro Guilherme Wendt. O mestre aprendeu por anos a técnica para inserir em sua escola, a KONG, os preceitos criados pelos traceurs franceses. E, como também fã da série Assassin's Creed, Guilherme nos conta como é ser o precursor da prática aqui na cidade de Ponta Grossa, PR. Entrevista por Cássio Remus.

MASYAF NEWS: Conte-nos, antes de tudo, sua experiência como gamer e jogador de Assassin's Creed.

Guilherme Wendt: Minha vida como gamer veio desde cedo, com o Megadrive, Game Boy Color. Mas foi a partir do Playstation 1 que eu realmente comecei a me engajar mais, quando meu irmão ganhou um. Desde então sempre joguei algo. Lembro que quando vi o anuncio de um jogo para a ‘’nova’’ geração, que era o playstation 3 e que se baseava em Parkour, foi impossivel para mim não gostar do Assassin’s Creed.

MASYAF NEWS: Quando você começou a se interessar por Parkour? Quais foram suas influências?


Guilherme Wendt: Desde muito cedo eu já gostava de pular coisas e queria fazer Parkour sem nem saber de sua existência. Na quarta série, eu já era conhecido por isso pelos coleguinhas de classe e adorava saltar cada vez mais degraus. Em casa, subia as paredes do corredor me esgueirando até o teto. Tarzan, Homem Aranha, super-heróis em geral, não sei em que ponto exatamente, mas eu me identificava com todos. Comecei com o Parkour propriamente dito aos 15 anos, sozinho em casa, vendo tutoriais pela internet e buscando informações. Assim foi muito mais difícil, mas isso me tornou o precursor do esporte em Ponta Grossa.

Guilherme Wendt. Foto por TRIA.

MASYAF NEWS: Você acha que o Assassin's Creed serviu de veículo para que muitos se interessassem em praticar o esporte?


Guilherme Wendt: Com certeza. A partir do momento que o pessoal começou a ter de controlar um personagem com tamanha mobilidade, hora ou outra pensou: ‘’e se eu conseguisse ter tanta mobilidade assim tambem?’’; Eu gosto do Assassin’s porque ele realmente não é tão irreal assim. Os movimentos foram feitos por gente competente, a não ser pela força absurda e resistência infinita de correr e pular por parte dos protagonistas.

MASYAF NEWS: É verdade que alguns dos precursores do Parkour foram consultados para a criação dos diversos jogos de Assassin's Creed? Qual foi a relação desses traceurs com o filme?

Guilherme Wendt: Sim, muitos grupos hoje especializados em vender o Parkourfazem filmes, jogos e entretenimentos em geral usando captura de movimentos. Sei que em Dying Light, o próprio criador fez um teste em realidade virtual para ver se os movimentos do game estavam de acordo com a ideia original. Em Assassin’s Creed 3, o pessoal do Tempest Freerun da Califórnia pegou o trampo. E por aí vai...

MASYAF NEWS: Conte-nos sobre os benefícios de praticar Parkour.

Guilherme Wendt: O Parkour tem a característica de melhorar incrivelmente a mobilidade geral da pessoa. Isso significa que temos mais facilidade de acessar os lugares e não nos limitarmos tanto se, por exemplo, existe um buraco no chão ou uma poça – pula-se ela e pronto. Claro, para isso existe um ganho de força, flexibilidade, melhora do sistema cardiovascular, resistência corporal. Como envolve apenas movimentos naturais, desde escaladas a aterrissagens que são todos movimentos com certa complexidade, o corpo todo é beneficiado. Creio ser a prática mais completa.  

Guilherme Wendt. Foto por TRIA.


MASYAF NEWS - É verdade que o Parkour vai muito além do esporte por si? Existe uma filosofia de vida por trás disso?

Guilherme Wendt: É certo que o Parkour muda a personalidade da pessoa para uma muito mais perseverante, pois todos os praticantes que conheço do Brasil apresentam, em maior ou menor nível, essa característica perseverante. A prática naturalmente agrega muito ao centro emocional da pessoa, trazendo mais confiança, autoestima. É incrível como treinar se torna uma ferramenta para se sentir capaz. Isso movimenta toda a vida da pessoa que pratica Parkour. Além do mais, o Parkour é visto como uma arte por muitos praticantes, fazendo do esporte uma expressão. Portanto, não julgamos se, por exemplo, determinado circuito é certo ou errado um circuito, tornando a prática uma forma de relaxar, se expressar e se libertar.

MASYAF NEWS: Como surgiu a ideia de criar um grupo dedicado à prática desse esporte (Kong Parkour)?

Guilherme Wendt: Kong é gorila, gorila é movimento, sabedoria, adaptabilidade. O olho é a presença no Agora que nos leva a viver o que realmente somos. O que buscamos no Parkour através da Kong é controlar nossa fera, nosso corpo e nossos instintos através do despertar pleno de nossa consciência superior.
Acho que chegou um ponto que Ponta Grossa pediu por uma centralização da prática do Parkour por um movimento responsável. Nesse caso o movimento carrega um nome de força e poder, tendo tudo para ser bem-sucedido. Já contatei atletas da cidade muito bem condicionados que irão carregar a Kong no peito; as aulas estão ficando carregadas de alunos inspirados e cheios de vontade de zerar os picos da cidade! Logo sairão incríveis produções em vídeo. Amo isso.

MASYAF NEWS: Se você fosse um Mestre Assassino, qual seria sua mensagem para os subordinados?

Guilherme Wendt: O medo jamais foi seu inimigo – ele trás prudência. Mas se acreditar sempre nele, viverá sempre na ilusão de não viver em seu maior e melhor potencial eclodido. 

Guilherme Wendt. Foto por TRIA.

Contato da KONG PARKOUR:

Whatsapp
(42)998207615
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